nostalgia, sua canalha
informes astrológicos: vênus entra em câncer / mercúrio retrógrado (ainda)
Nessa semana, vênus entra em câncer e mercúrio está no auge da retrogradação. Logo de cara, vênus faz quadratura com o esquisito do saturno em áries. Um corte seco. Saturno ama cortar asas e brisas de lindas fadas. Só depois de passar por saturno é que vênus encontra júpiter numa conjunção. Um casamento, uma ode à união, uma celebração à dissolução do ego. O amor vence no final.
Sim eu faço uma astrologia romântica. Eu sou romântica. É isso aí, moral da história: aguenta firme, ainda dá pra ficar melhor. Fé nas maluca!!! Mas se a felicidade nos visita, não podemos mandá-la embora. Se já tá bom, aproveita. A hora é sempre agora.
E já que mercúrio tá andando para trás e vênus entrou no signo do animal que ama andar de lado - o caranguejo é um animal oblíquo - o passado e a memória se tornam temas que piscam aos olhos da astróloga. E do passado e da memória podem surgir fantasmas e lamentações que às vezes se disfarçam de bosques encantados. Entre as fantasmagorias, a nostalgia é a mais canalha e sedutora de todas.
Mas vamos começar pela memória, essa coisa estranha e pouco confiável. Ela tanto pode exagerar nas cores do drama como embelezar, atenuar e seletivamente se esquecer de certos detalhes inconvenientes. Com o futuro em crise, a gente recorre ao que já conhece. E assim a nostalgia tem se tornado um sentimento de conforto. Tudo que traz nostalgia, vende. E vende muito.
Frase nostálgica que me vem à mente: eu era feliz e não sabia. A memória tem imaginação e ama ser mais bonita do que o evento na qual se embasa. Algo que poderia ser, algo que a gente imaginou que gostaria de viver, uma belíssima possibilidade que não se materializou ou não durou no tempo: a nostalgia das frustrações.
E de onde vem a ideia de que um antes era melhor? Talvez seja porque o futuro assusta, então a gente se refugia no que já conhece. Mesmo que não seja lá essas coisas, já sabemos o que esperar. E além disso, a gente sempre pode inventar.

Existem nostalgias geracionais (no meu tempo era diferente e outras ladainhas) e existem as nostalgias particulares. O Christian Dunker, divo psicanalítico, andou falando por aí que envelhecer é aprender a perder. Amigos que se vão, oportunidades que passam, ilusões que são quebradas, amores do passado, tudo que poderíamos ser e não somos mais… E é aí que entra a canalha da nostalgia com sua memória seletiva em busca do tempo perdido.
É engraçado pensar que quando a palavra nostalgia surgiu, ela não era empregada como válvula de conforto e sim para descrever uma doença. A primeira vez que esse termo foi usado não foi de forma poética, mas num tratado médico. Pessoas morriam de nostalgia séculos atrás (juro que tem um contexto todo, mas não cabe no meu textinho aqui. Tá no livro da Ilaria Gaspari que indiquei acima). Hoje em dia pessoas compram por nostalgia, se tornam conservadoras ou reatam amores ruins por nostalgia. Continua sendo uma doença.
Uma doença que vem da lamentação por uma perda. Compreensível. Lidar com os lutos é uma coisa (?) muito babado (!!). Não tenho nem vocabulário para isso.
Mas a nostalgia em si tem esse sabor melancólico porque lá no fundo talvez saibamos que não gostaríamos de voltar de verdade. O tempo recuperado, se é que o recuperamos, não se parecerá com o tempo que passou. Será um novo tempo, como novos somos nós quando conseguimos, enfim, entender que viver significa se renovar em continuação (SIM ILARIA!!!).
A vida nos exige começar de novo e recriar o passado que ainda vive em nós. Às vezes essas experiências se acumulam e pesam, nos puxando para baixo, como âncoras. Isso pode ser uma coisa boa ou não. De qualquer forma, confesso que vivi. O passado está aqui mas a vida continua com mais força. Nada pode parar o futuro, mesmo quando a gente deixa de acreditar nele. A questão é saber o que fazemos com o que já foi feito. Negar o futuro talvez não seja a melhor opção. E repetir o passado nem sempre funciona.

Vênus em câncer ama a estética da nostalgia. Eu amo. Quem não anda amando? Mas às vezes eu me sinto presa num déjà vu, uma repetição da ref da ref da ref… A cópia da cópia da cópia. Tem a ver com o algoritmo, mas vai mais além. E eu não sou a única que sente isso. Esse post da Amy Francombe questiona se a nossa obsessão por nostalgia não teria menos a ver com o passado e mais a ver com a nossa incapacidade de seguir em frente. Não sei. Só sei que existe poder na repetição. Mas também existe um problema quando não conseguimos sair dela.
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É isso por hoje!


Maravilhoso!!!! Esse texto caiu na hora certa, existe um romance na nostalgia que me atrai muito, mas por vezes tenta roubar demais a cena, que reflexão maravilhosa!!
nostalgia mandou lembranças!! que texto bom pra ler agora e depois com muita nostalgia!!!